Rapidinha, primeira vez do Montage foi inesquecível 
O relógio marcava 5:03 PM, horário de Second Life, quando me teleportei para o distrito de Butler. O início do show da dupla cearense Montage estava marcado para as 5:00PM. Ao chegar em frente ao Club Republik, onde aconteceria o show, veio o balde de água fria. "Você não pode entrar nesta região porque o servidor está lotado."
Do lado de fora, eu podia ouvir as pessoas gritando: "RAIO!", "UUUUUUU.... SHOWWWW", "MASSA DEMAIS", "QUEM TÁ CURTINDO?"
Eu, definitavemente, não estava. Sem saber que a lotação máxima da casa era de apenas 40 residentes, tinha deixado para chegar em cima da hora e agora corria o risco de perder um dos eventos mais importantes do ano: a primeira apresentação de uma banda brasileira no território de Second Life.
Como um bom jornalista, a única saída que me restava era apelar para a boa e velha carteirada na porta. Descobri o nome de uma das promoters do local, Araleigh Reisman, e disparei: "Olá, sou repórter do G2, e preciso dar um jeito de entrar nesse show. Não posso voltar para casa sem essa matéria, entende?" E não é que funcionou? Araleigh foi simpática e, em poucos minutos, a minha entrada foi liberada. Ah, nada como um pouco de experiência "profissional" nessas horas...
Nos altos-falantes da casa uma batida de funk carioca já botava a pista para ferver. Metido num shortinho de lycra lilás, sem camisa e com as asas de borboleta à mostra, o vocalista dançava e cantava em meio à galera. "Floor! Floor! Floor!", repetiam os fãs que pareciam ter decorado todas as letras para a ocasião.

Ao fundo, Leco, a outra metade do Montage, comandava as picapes, jogando as mãos para o alto de quando em quando e conversando com o público. "Essa é inédita! Só para o Second Life!", anunciava ao microfone para os aplausos do público ensandecido, no qual se misturavam góticos, patricinhas, otakus, emos, clubbers, completos outsiders - como este repórter que vos escreve - e até uma inusitada caixinha de leite longa-vida animada.

Graças à divulgação no Orkut, o show conseguiu reunir fãs de todas as partes do Brasil - tinha gente de Fortaleza, de Recife, de Goiânia, Minas Gerais - e do mundo.
"Uma mão na cabeça e a outra no traseiro", cantava, em inglês, uma delas enquanto chacoalhava na pista reproduzindo fielmente os passinhos do funk carioca gravado especialmente para o SL.

Mesmo sendo esta sua primeira vez virtual, a performance do Montage fazia parecer que eles vinham fazendo isso toda semana. "Valiummm, valiummm, valiummm, valiummm, valiummm", dizia a letra de uma das músicas. Ao que fãs como Nando Torok e Aiden Guyot emendavam em coro: "faz bem, faz mal, faz bem, faz mal pra mim!"
A química, com o perdão do trocadilho, era perfeita. Mas o efeito, esse passou rápido:

"Ae, galera... vamos repetir a dose?", perguntou Daniel aos 26 minutos de show. Mais aplausos, mais uivos. Mesmo com o repertório enxuto, a dupla mandou o bis e esticou a festa por mais uns bons vinte minutos.
Ao final da apresentação, puxei papo com o inglês Sable Sunset, um dos sócios do Club Republik junto com a americana Lina Pussycat. "Eu adorei! Ficarei feliz de tê-los tocando novamente aqui a qualquer momento que queiram voltar."
Ravovich Figtree, DJ residente do Club Republik, faz coro com o amigo: "Eu não sabia muito o que esperar e eles me deixaram embasbacado. Passei o tempo inteiro dançando aqui em cima da cama", confessa ele, já misturando primeira e segunda vidas.
Missão cumprida. Agora é esperar o próximo... e chegar cedo!
Postado por Chico Benton, do G2, em Second Life